Archive for abril, 2010

O Senhor Tempo…

O tempo vai passando.. ele não pára. Pode haver o que houver, mas ele não pára, não se cansa nunca.

Quando a gente é criança não percebe a passagem do tempo em si. A gente só quer saber de viver da maneira mais simples possível. A gente brinca, dorme, come e a única preocupação é inventar qual será a próxima desculpa para não ir para a escola no dia seguinte (isso no meu caso). Tudo é tão fácil, tão acessível, tão permitido, que fica difícil crescer, atribuir responsabilidades, desenvolver habilidades profissionais, pensar na carreira, agir, fazer acontecer. Nada mais cai no nosso colo, nada mais nos é dado de mão beijada, nada mais é assim tão permitido.

Fico tentando me lembrar quando foi que eu tomei conhecimento que o tempo estava passando. Não consigo me recordar com certeza. Talvez seja quando algo que aconteceu há dez anos atrás seja uma memória ativa. É! aí sim pode ser que a gente esteja envelhecendo, ou que o tempo realmente tenha passado.

Nunca pensei que seria tão estranho assim pensar num futuro. Claro, eu sempre soube que eu um dia me tornaria adulta, teria um emprego, sonhava com a faculdade, entendia a probabilidade alta em ter uma família, filhos, marido… Mas agora, quando essas etapas enfim chegam, é muito medonho imaginar que mais dez anos e eu talvez tenha alcançado tudo isso. Que talvez mais dez anos eu seja mãe, esposa, psicóloga formada, atuante. Enfim, dá certo medo…

Quando o tempo enfim passou, a gente se dá conta de que ele é muito curto, e que se a gente não se apressar e estruturar nossa vida, as coisas se perdem, ficam pra trás. Quanto mais o tempo passa menos tempo se tem para fazer aquilo que sempre planejou. E quando não se planejou absolutamente nada, aí deve realmente ser desesperador. Penso no meu caso, que desde criança jurava de pés juntos que jamais casaria, e muito menos teria filhos. A idéia de independência, liberdade total sempre me fascinou muito. O tempo foi passando e as perspectivas começam levemente se alterar. Você se apaixona pela primeira vez e a sensação boa que isso traz faz com que você comece a enxergar novos caminhos, faz com que você queira conhecer esses novos caminhos. Com o tempo adquiri a idéia de casar. Afinal, não é por casar que eu não terei a liberdade que tanto desejo, certo? O tempo continua passando incessantemente, e alem de casar a vontade de constituir uma família de verdade toma conta. Gerar um filho, ser eu a mãe, eu a responsável em acolher, em proteger, em passar aquela segurança que só um abraço de mãe após um pesadelo dá. Quando você chega nessa etapa, aí lascou tudo mesmo, não tem mais volta. Você espera o tempo passar com aquela angustia em ter que encontrar um alguém que queira também não só ser um marido, como ser um pai. Acredito que seja ai que tudo complica. Achar na mesma hora alguém com o mesmo desejo que você. Aqui talvez a gente entenda que a vida não é o conto de fadas que se sonhou que fosse…

Acredito que eu tenha chegado nessa fase de angustia. A fase em que você percebe que precisaria de muito mais tempo para realizar seus sonhos a tempo, naquele tempo certo dos seus planos. No meu caso, comecei a surtar levemente quando percebi que me formarei com 26 anos. Depois disso, terei que me especializar em algo e não sei mais quantos anos vai nessa etapa. Em seguida tem toda aquela coisa em se firmar cem por cento na profissão, se estabilizar. Percebi que a partir de agora não terei mais um tempo para ver o que acontece. É uma etapa seguida da outra, em uma velocidade incrível. Quando é que terei o tempo para ser A mãe, A esposa? A partir de agora o foco é na profissão, mas e o resto, vem quando? Tudo se mistura? O tempo se divide? E se o homem certo não aparecer até lá, penduro uma placa de ‘procura-se’ no pescoço e espero? E quando é que então serei mãe? Não quero ser mãe depois dos 30. É ou não é de enlouquecer??? É ou não é para pensar que o tempo é realmente valioso?? Nossas atitudes de hoje são a base do futuro, são a base desses dez anos que estão batendo na porta… Só tenho 22 anos, mas no final dessas etapas iniciais já terei quase 30. E aí?

Enfim, talvez eu esteja exagerando e isso seja alguma crise da meia-meia-meia idade. Talvez um desespero sem muito fundamento que faz com que a gente acorde e dê uma sacudida na vida. Faça com que a gente olhe ao redor e se pergunte o que é que estamos fazendo aqui. Qual é nosso papel nisso tudo? Quando é que a vida realmente acontece… ? Ela já começou, a gente que bem provavelmente ainda não se deu conta…

Pense no seu futuro com base no seu passado, e viva seu presente pensando nas consequências que isso trará para o seu futuro, afinal, o futuro está aí, logo à frente e não vai ficar esperando para acontecer. Ele acontece você estando ou não preparado….

Comments (2) »

Dar não é fazer Amor…

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
“Que que cê acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado…


Luís Fernando Veríssimo

Comments (7) »